Como foi o Dia das Mães 2022 no varejo?

Ainda que a CNC, Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), tenha calculado que o volume de vendas para o Dia das Mães 2022 seria mais baixo que o do ano anterior, a segunda data comemorativa mais importante para o comércio não deixou a desejar no varejo.

Segundo o Índice Cielo de Varejo Ampliado, as vendas para o Dia das Mães cresceram 18,1% em comparação a 2021. Ceará, Santa Catarina, Rio de Janeiro e São Paulo foram os estados que tiveram melhor performance. Os dados foram apurados na semana de 2 a 8 de maio.

Para o economista Reinaldo Cafeo, associado regional da Fundação Dom Cabral (FDC), a demanda reprimida de dois anos de pandemia de covid-19 fez com que as famílias optassem por “tirar o atraso” e presenteassem mais, contrariando as previsões mais pessimistas.

“Nestes últimos dois anos as famílias se distanciaram um pouco. Notadamente os filhos que moram fora não se deslocaram para comemorar o Dia das Mães, os encontros aconteceram de maneira remota. A volta do presencial este ano, já com vacina e sem máscara, fez com que, mesmo diante das dificuldades, o brasileiro acabasse sacrificando uma parcela do seu orçamento para presentear e até fizesse uma compra maior”, diz.

O economista ainda destaca alguns segmentos que tiveram uma performance particularmente boa nesta retomada, como o de flores, o de calçados e o de eletrônicos de valor agregado menor. Já o setor de vestuário e de eletrônicos de valor agregado maior não tiveram alta tão expressiva. Além desses, são segmentos de produtos tradicionais para a data cosméticos, perfumaria, joalheria, ótica, entre outros.

Lojas físicas foram o destaque do Dia das Mães 2022

Ainda de acordo com o Índice Cielo de Varejo Ampliado, enquanto o e-commerce teve alta de 5% no período de 2 a 8 de maio, as vendas nas lojas físicas cresceram 20%.

A Associação Brasileira dos Lojistas Satélites de Shoppings (Ablos), que reúne um grupo de tradicionais empresários do varejo, também registrou crescimento de vendas após dois anos difíceis de pandemia – em 2020, inclusive, o comércio físico estava fechado na data. Segundo a Ablos, houve um aumento de 36% nas vendas em relação ao mesmo período comemorativo de 2021.

“Na pandemia e com as medidas de isolamento, as pessoas se distanciaram da compra presencial, mas agora certos produtos querem retomar este modelo. Basta ver os consumidores no shopping, no comércio de rua… É aquela certa ansiedade, a pessoa quer ver, quer experimentar”, explica o economista Reinaldo Cafeo.

Para ele, as vendas online vão continuar sendo um importante instrumento de trabalho, mas não irão crescer na mesma velocidade que vinham crescendo. “O lojista se deu conta que não precisa ficar limitado a um tipo de venda e daqui pra frente cada vez mais vai apostar neste ambiente híbrido: a loja aberta por um período com o produto exposto 24 horas na internet. Quem souber dominar esses dois modelos com certeza terá uma vantagem competitiva e se dará melhor até o fim do ano”, afirma.

Inflação alta, presente mais caro

Não só as vendas cresceram no Dia das Mães 2022, o valor da compra também foi mais alto. Conforme levantamento feito pela SmartHint, sistema de busca inteligente pertencente ao grupo Magazine Luiza, o valor médio gasto no site em cada compra saltou de R$ 351,45 para R$ 416,69 em comparação ao ano anterior.

Os dados vão ao encontro do que apurou a pesquisa da Behup para a Globo, que entrevistou 800 pessoas sobre a data. Segundo o estudo, 54% dos consumidores pretendiam manter os gastos com o presente de Dia das Mães, 28% tinham a intenção de aumentá-los e somente 18% gostariam de diminuí-lo.

Reinaldo Cafeo explica que existem alguns fatores envolvidos nesta mudança de padrão de compra. “Primeiro tem a questão da retomada: a pessoa ficou dois anos sem dar presente, agora quer tirar o atraso aumentando a régua. Assim, acaba comprando um presente melhor”, fala. Além disso, segundo o associado regional da Fundação Dom Cabral, uma inflação de dois dígitos inevitavelmente traz preços mais elevados.

“Os lojistas aprenderam a lidar com essa questão sazonal positiva, com o apelo comercial destas datas, e têm que continuar investindo nas vitrines, no bom atendimento e no modelo híbrido. Há a melhora do ambiente de venda, no entanto não será nada muito expressivo ao decorrer do ano. Se o setor repuser a inflação dos últimos doze meses, então estou falando em um aumento de 10 a 12%, já pode comemorar”, avalia.

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