MG é o segundo Estado em vendas online

Por meio do e-commerce, as empresas de Minas Gerais venderam R$ 88,06 bilhões no período de 2016 a 2022, conforme levantamento inédito do Observatório do Comércio Eletrônico – plataforma do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic).

Foi o segundo maior resultado do Brasil, só perdendo para São Paulo, que contabilizou R$ 290,76 bilhões. A terceira posição foi ocupada pelo Rio de Janeiro, com R$ 47,93 bilhões. Em todo o País, o valor chega a R$ 627,96 bilhões.

A plataforma, lançada ontem, mostra crescimento do comércio eletrônico no Estado nos últimos anos, já que as vendas saltaram de R$ 6,62 bilhões em 2016 (valor total bruto estado emitente) para os R$ 24,57 bilhões em 2022, o que representa uma alta de 271,1%. De 2016 a 2022, o destaque em Minas foi da categoria de telefones, com R$ 9,07 bilhões.

O Dashboard do Comércio Eletrônico Nacional reúne informações sobre vendas on-line realizadas no País com emissão de nota fiscal. É a primeira ferramenta pública a agregar números oficiais do comércio eletrônico no Brasil. Até então, boa parte das informações vinha de bases privadas.

No caso do Estado, os dados mostram que 75% das vendas foram para consumidores de fora de Minas. Destas, os destaques são para aparelhos de celular, televisores, calçados e camisetas.

Análise

O presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL/BH),  Marcelo de Souza e Silva, diz que o avanço do comércio eletrônico já era uma realidade prevista em função do avanço tecnológico.

“A pandemia e o isolamento social aceleraram este processo. Além disso, o comportamento de compra do atual consumidor está pautado em praticidade e facilidade, com fácil acesso a informações e a produtos. Tudo isso tem contribuído para a aceleração do comércio eletrônico”, analisa.

O crescimento do e-commerce fez com que a Associação Comercial e Empresarial de Minas (ACMinas) criasse um grupo de trabalho para discutir o assunto no ano passado, segundo o coordenador do grupo, Túlio de Souza. “É um segmento que vem crescendo nos últimos anos e acabou se consolidando durante a pandemia”, diz.

Ele observa que o comércio eletrônico trouxe diversos impactos, um deles na atuação das lojas físicas, que passaram a conviver com essa modalidade de comércio e que tiveram que passar a atuar no e-commerce. “O comércio eletrônico ampliou a área de atuação das empresas. Uma loja de Belo Horizonte pode vender para todo o País ou até mesmo para o mundo inteiro”, diz.

Outro impacto apontado pelo coordenador do curso de Ciências Contábeis da Estácio BH, Haroldo Andrade Junior, foram os investimentos em Minas. “Empresas como a Amazon abriram centros de distribuição na Região Metropolitana de Belo Horizonte, trazendo para o Estado de Minas Gerais investimentos, geração de empregos e desenvolvimento regional”, ressalta.

Em 2020, a multinacional norte-americana Amazon anunciou investimentos de R$ 120 milhões na abertura de um centro de distribuição (CD) em Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. No mesmo ano, o Mercado Livre também anunciou a instalação de um centro de distribuição, só que em Extrema, no Sul de Minas Gerais.

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