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A cautela deverá ditar as compras do Dia do Consumidor deste 15 de março. Tradicionalmente, os lojistas preparam uma semana com promoções e apostam na data para atrair clientes e impulsionar as vendas já no primeiro trimestre, em um momento anterior às celebrações do Dia das Mães e da Páscoa.
No entanto, o cenário, projetado por entidades ligadas ao comércio de Minas Gerais, mostra que não há clima de otimismo no setor, já que, neste ano, a semana do consumidor ocorrerá em meio ao avanço da inflação, do reajuste no preço dos combustíveis e da apreensão frente à invasão russa à Ucrânia, que já se aproxima da terceira semana.
De acordo com o economista da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas de Minas Gerais (FCDL-MG), Vinícius Silva, essas variáveis do cenário macroeconômico influenciam a confiança do consumidor, e, por isso, eles deixam de comprar. “O consumidor está muito cauteloso. Primeiro, tivemos a Covid-19 e, ao longo do tempo, houve o aumento dos juros para frear a inflação. Agora, temos a guerra que mexe com os nossos insumos. Nesse cenário, o orçamento é reduzido e temos que melhorar o nosso planejamento”, analisa Silva.
Para o presidente do Conselho de Micro e Pequenas Empresas da Associação Comercial e Empresarial de Minas Gerais (ACMinas), Edvar Campos, as pessoas estão muito conscientes, por exemplo, com os reajustes constantes dos combustíveis, já que eles são responsáveis por puxar o preço de outros itens básicos no dia a dia. E, diante do pessimismo, ele aconselha que as empresas adotem uma postura cada vez mais humanizada para cativar os clientes e fidelizá-los não só pelo preço, mas pela qualidade do atendimento.
“Os comerciantes precisam buscar o consumidor. E nós sabemos que o comércio eletrônico está aumentando e que as pessoas estão se habituando. Mas as lojas físicas têm o apelo do atendimento humanizado, porque antes as pessoas escolhiam apenas o preço dos produtos, mas hoje elas escolhem também pelo atendimento que recebem”, afirma Campos.
No entanto, conforme afirma a economista da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Minas Gerais (Fecomércio MG), Gabriela Martins, os lojistas também precisam ter cautela com as promoções, já que a falta de planejamento pode comprometer a saúde financeira da empresa.
“É importante que os lojistas façam promoções que não comprometam muito do seu lucro, mas que sejam estrategicamente pensadas de forma a aumentar o volume de vendas e atrair consumidores. Além disso, os empresários devem estar atentos aos seus estoques, evitando que eles fiquem com volumes abaixo ou muito acima do ideal, preservando o capital de giro da empresa”, orienta Almeida. Ainda segundo ele, as vendas deste ano no período tendem a ser mais elevadas que no ano passado, considerando não somente a semana do consumidor, mas todas as datas comemorativas do primeiro semestre de 2022.
Fonte: Diário do Comércio